15 julho 2019

DARK Temporadas 1 e 2 - NETFLIX

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Dark é uma grata surpresa. Sua primeira temporada estreou na Netflix em dezembro de 2017. Sem muito alarde passou despercebida por muitos e foi no boca a boca que Dark se tornou sucesso.

Conheço alguns que desistiram da série nos primeiros episódios e depois voltaram por influência dos comentários positivos daqueles que assistiram a tudo.

Eu mesmo demorei um pouco a encarar a série. Essa dificuldade em iniciar ou mesmo em permanecer acompanhando Dark é explicável.

Dark é uma produção alemã. O estilo de direção, roteiro e fotografia fogem do padrão americano ao qual estamos acostumados. O ritmo é lento, os enquadramentos cartesianos e a fotografia monocromática.

Outro comentário que me afastou da série foi que ela seria uma versão alemã de Stranger Things. Crianças investigando um desaparecimento em meio a eventos sobrenaturais ou fantásticos.

Com felicidade, descobri que não tem nada de Stranger Things em Dark. A série tem, sim, um grupo de jovens no fim da adolescência; não crianças. E aborda vários períodos temporais diferentes. Logo, vemos as “crianças” como adultas ou mesmo idosas.

A trama inicia com o desaparecimento de um menino. Toda a cidade auxilia na busca com destaque para Ulric (Oliver Masucci) pai do menino, Charlotte (Karoline Eichhorn) a policial e Jonas (Louis Hofmann) que estava com o menino quando ele desapareceu. Na procura pelo menino somos apresentados ao elenco. Várias famílias com pais, filhos e avós.

No meio da primeira temporada temos o primeiro salto temporal de 33 anos no passado. Então vemos os mesmos personagens em suas versões mais jovens. Os idosos agora são os adultos e os adultos são as crianças. Destaque para e excelente escolha de elenco. Os atores que interpretam o mesmo personagem em idades diferentes são extremamente parecidos entregam com excelência o trabalho de interpretação. Isso ajuda muito a não nos perdermos em relação a quem é quem.

Não vou dar muitos detalhes da trama, pois isso comprometeria o prazer das surpresas que o roteiro guarda.

Não há terror aqui. É ficção científica da melhor qualidade. Não há exposição gratuita e os eventos são explicados com verossimilhança notável. Há o questionamento moral, a dúvida no caráter dos personagens e a discussão filosófica que toda boa ficção científica encerra.

É claro que o tema viagem no tempo já foi abordado centenas de vezes e alguns clichês já chegam a ser irritantes. Por exemplo: em Vingadores, Tony Stark encontrou seu pai no passado e conversou com ele sem dizer quem era. Isso é muito comum em produções americanas. Em Dark não. Aqueles que encontram pessoas em épocas diferentes dizem exatamente quem são, o que pretendem e provam que estão falando a verdade.

São abordados o paradoxo do avô, o paradoxo de bootstrap e o determinismo. Todos de forma inovadora.

A segunda temporada acaba de estrear e mantém a mesma qualidade em roteiro e direção. É um delicioso exercício mental e já temos a terceira e última temporada confirmada. Você vai maratonar, pois depois que somos capturados pela história é muito difícil escapar. Encare, se surpreenda e se divirta

Autor: Alex Arruda Mendes

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