04 julho 2019

Shazam - O filme

O filme Shazam

Eu assisti essa semana o filme Shazam. É eu sei, já foi ultrapassado, antigo, mas eu tentei não assistir pois sabia que, talvez, eu iria me arrepender. Mais a curiosidade foi maior e...bom, o texto do Alex resumi tudo que eu vi.

Shazam - O filme

Shazam é mais um filme que traz à telona um personagem do universo dc dos quadrinhos. Por ser uma obra não original temos que observar o valor do filme por dois prismas: Shazam precisa funcionar como filme propriamente dito e, em confronto com a obra original e seus valores já estabelecidos.

Como filme, Shazam é fraco. É, inegavelmente, uma comédia e como tal não atinge todos os públicos. Eu ri do alto de meus quarenta e cinco anos da maioria das piadas. Meu filho de nove certamente rirá de todas, mas até o humor precisa ser bem trabalhado.

Devemos lembrar o contexto da história contada aqui. Um órfão abandonado pelos pais que não se encaixa nos lares adotivos. Cheio de rancor e perdido na vida. Cometendo atos no mínimo duvidosos.

É convocado pelo mago Shazam para receber poderes mágicos e se tornar um guardião de males aprisionados. Difícil encaixar piadas nesse contexto. Contudo, não é impossível e o roteiro de Shazam o faz de forma satisfatória. Contudo, o drama se esvai em meio às piadas nesse roteiro que é raso. Não se aprofunda em nenhum aspecto da vida do jovem Billy Batson ou de seus pares. As atuações estão acima do nível do roteiro.

Zachary Levi que interpreta o herói está bem à vontade no papel. É palpável o comprometimento. Asher Angel que interpreta o alter ego mirim também entrega um personagem conciso. Porém, suas interpretações não conversam entre si. O menino é um e o herói é outro. Falha clara de direção de atores. O vilão encarnado pelo ótimo Mark Strong é genérico. Um desperdício de talento do bom ator. Efeitos visuais datados. Parece que estamos assistindo um filme dos anos 80 ou 90.

Há monstros. Péssimos mas há. A história é cheia de momentos confusos. Faltou aquele final impactante, a catarse que deixa o momento na mente mesmo depois do filme. Aquilo que vimos em Aquaman quando ele sai da cachoeira com o uniforme clássico ou quando John Wick mata o vilão dentro do Continental. Shazam como filme em si vai de mediano a ruim. Uma decepção.

Outra forma de encarar Shazam é em confronto com sua versão original. Nesse caso – os quadrinhos. O filme se baseia na reformulação recente do herói em “os novos 52”.

Preciso lembrar que o personagem se chamava Capitão Marvel (a Marvel com esse nome ainda não existia) e foi criado em 1940 na extinta Fawcettt Comics. Um ano após a criação do Superman que é de 39. Em 1941 o Capitão Marvel já desbancava o maior herói já criado em vendas. O motivo é fácil de entender: o herói musculoso e poderoso tem como alter ego um menino. Isso causa enorme empatia no público infanto juvenil.

Por conta do sucesso do personagem a DC Comics acusou a Fawcettt de plágio e o processo durou décadas levando a Fawcett à falência. Depois disso a mesma DC adquiriu os direitos do personagem, mas nunca conseguiu o mesmo sucesso que ele teve nos anos 40. Hoje relegado a coadjuvante de luxo.

Considerando essa verdade histórica, é de se esperar enorme sucesso do personagem nos cinemas. O que falta para tanto é um bom filme. Com bons roteiro e direção.

Fiquei assombrado ao conferir a história sobre a qual o roteiro se inspira. Está tudo lá. Pronto. O drama e humor balanceados com precisão. Personagens bem desenvolvidos. Trama instigante. Homenagens à versão clássica do personagem. As melhores ideias dos quadrinhos foram deixadas de lado na adaptação. Como resultado, temos um filme divertido, mas que não fala nada. Engraçadinho e só.

E você, assitiu? O que achou? Deixe seus comentarios.
Beijinhos

Resenha: Alex Arruda Mendes.

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